"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
(José Régio)
Um espaço virtual para os pensamentos que não têm lugar próprio, nem identidade própria, mas que reverberam diariamente no espaço interno da minha existência.
Thursday, February 19, 2009
Tuesday, February 10, 2009
Manchmal

besuche ich eine bestimmte Insel
Eine Insel in der ich mich wieder finde
dort atme ich Luft
dort finde ich deinen Duft
Schmetterlinge singen
Tulpen können fliegen
Träume sind Alltag
Das Wasser ist lila
Der Himmel gelb
Die Pflanzen bewegen sich
und fressen Menschen
Ich fresse dich
Du schmeckst nach Erdbeeren
und Erbsen
Sunday, January 25, 2009
Um homem
Thursday, January 15, 2009
Neve

alles ist grau
ich atme die graue Luft
und versuche den Duft des Schnees zu riechen
die Luft ist feucht
sie erinnert mich an das Meer
ich trete auf dem Schnee
und wenn ich die Augen schließe
bin ich am Strand
und spüre den weichen Sand
mit geschlossenen Augen fühle ich
den warmen Wind in meiner Haut
ich höre Musik in Hintergrund
das Geräusch des Meers
und wenn ich meine Augen öffne
sehe ich Licht
es ist nicht mehr grau
sondern
weiß
Tuesday, January 13, 2009

Me sinto presa, enjaulada no inverno. Ao meu redor falta ar, falta calor. Me protejo fechando os braços, alimentando o fogo. Sinto o cheiro de carvão queimado, tapando meus poros com partículas negras de calor. Me fecho e não abro e quando abro queimo de frio por dentro. Sinto um vento congelado percorrer minhas vértebras, descer até meus pés e congelar as pontas dos dedos. Movimento meus pés tentando impedir o inevitável, mas o frio sobe e se espalha por meu corpo como um câncer que ataca cada célula. Ele sobe até meus joelhos e me sinto anestesiada, já não posso andar naturalmente, cada passo contém o medo de que o frio contamine o resto do corpo, em cada passo procuro alcançar um movimento que provoque o movimento contrario do frio, quero que o calor do meu peito desça até a ponta de meus pés. Quero abrir os braços, quero entrar dentro do universo ilimitado das águas, quero me movimentar sem todas as camadas protetoras que impõem limites no meu ser, quero ser eu mesma, sentir minha pele, sentir meu corpo respirar e ser eu, eu e minha pele, eu e minha respiração, eu e meu calor, eu e meu movimento interno natural.
Monday, January 12, 2009
Monday, December 1, 2008
Wednesday, November 26, 2008
Metade

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que o homem que eu amo seja pra sempre amado
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
Mas a outra metade eu não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.
E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.
(Oswaldo Montenegro)
Friday, November 7, 2008
In einer Welt
In einer Welt mit
dummen Menschen
Konflikten
Kälte
Kriegen
Krankheiten
Missverständnissen
Einbahnwegen
Politikern
Machtkämpfen
Süchten schlechtem Sex
Fastfood
Pappbechern
Plastiklöffeln
Konservierungsstoff Geschmacksverstärker Süßmittel Geschmacklosigkeit Wut
Hass
Krebs grauem Winter
Eifersucht
Neid
Konkurrenz
Kapitalismus
Armut radioaktivem Abfall
In der die Menschen leider vergessen haben dass die Erde nicht einmal ein Sandkorn im Universum bedeutet und denken dass sie Menschen sind während sie noch keine geworden sind…
Aber auch in einer Welt mit unendlichen Möglichkeiten körperlichen Ausdrücken
Kunst
Magie
Träumen Erdbeeren traumhaften Stränden
Kokospalmen
Regenbogen
Musik
Wasser
Sternenhimmel
ist es mir eine kosmische Freude Dir begegnet zu sein.
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