
Me sinto presa, enjaulada no inverno. Ao meu redor falta ar, falta calor. Me protejo fechando os braços, alimentando o fogo. Sinto o cheiro de carvão queimado, tapando meus poros com partículas negras de calor. Me fecho e não abro e quando abro queimo de frio por dentro. Sinto um vento congelado percorrer minhas vértebras, descer até meus pés e congelar as pontas dos dedos. Movimento meus pés tentando impedir o inevitável, mas o frio sobe e se espalha por meu corpo como um câncer que ataca cada célula. Ele sobe até meus joelhos e me sinto anestesiada, já não posso andar naturalmente, cada passo contém o medo de que o frio contamine o resto do corpo, em cada passo procuro alcançar um movimento que provoque o movimento contrario do frio, quero que o calor do meu peito desça até a ponta de meus pés. Quero abrir os braços, quero entrar dentro do universo ilimitado das águas, quero me movimentar sem todas as camadas protetoras que impõem limites no meu ser, quero ser eu mesma, sentir minha pele, sentir meu corpo respirar e ser eu, eu e minha pele, eu e minha respiração, eu e meu calor, eu e meu movimento interno natural.
1 comment:
Faz conchinha com a mão!
FUUUUUUUUUUUUUUUU
Um soprinho quente meu para esquentar seus dedinhos.
Beijo
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