Monday, May 25, 2009

Adeus

quero me libertar

deixo detras de mim voce
e tudo mais.
finjo conseguir esquecer tudo aquilo que foi
enquanto foi bom
e o quanto tudo doeu

eu finjo te perdoar
e finjo que me pediste perdão

finjo que foi tudo assim como deveria ser

assim, quando a gente sente que é hora de partir
e parte seguindo caminhos distantes, mas sabendo que há um pensamento que une os dois

finjo que você não foi assim tão importante e que os sonhos foram só sonhos
e os pesadelos só pesadelos

assim

me liberto de você
do seu cheiro impregnado nas cobertas
dos seus pensamentos impregnado nas paredes

eu lavo as paredes com água da tempestade
arranco o papel de parede velho com as unhas
e descubro a madeira que você não queria ver

descubro janelas tapadas por você
e me livro de carpetes marrons

abro as janelas e arranco as cortinas mofadas
sinto o vento entrar levando o ar contaminado de sua energia morta

lavo as plantas com água da chuva
e encho a casa de água

nado e danco pela sala enquanto vejo seus objetos transbordando janela afora


queria te dizer para sumir
para me deixar em paz
para desaparecer do planeta
para enfiar sua cabeça pobre dentro de uma gaveta
lugar de onde nunca deveria ter saído
eu tranco a gaveta e digo nunca mais

(texto encontrado em uma gaveta escondida)

1 comment:

Noz Moscando said...

venta, que triste... com vai td? acho que agora que os ventos vão contrários, vc some mais... beijo num sopro