Saturday, July 6, 2013

Wednesday, May 15, 2013

dentro

tudo estagnado no peito sensação de vida e de morte arde tudo dentro o vazio grita em mim queria escoar a água toda que produzi para poder senti-la viva mas a água não pode fluir e me seca por dentro senti pulsar latejar e ao abrir a boca uma voz rouca esboçou um som que pouco vibrou no ar aonde foi o rio azul cintilante aonde foi a dança com a lua é inspiração demais para deixar secar dentro o rio segue nas veias e traz consigo historias femininas de outras gerações carrego em mim o ventre dos meus antepassados e séculos da minha própria vida são anos de guerras internas nascimentos mortes e abortos indesejados dentro de mim segue a música e a dança acorrentadas nos limites do meu ser

Saturday, November 17, 2012

Monday, October 29, 2012

"Sou mestre na arte de falar em silêncio. Toda a minha vida falei calando-me e vivi em mim mesmo tragédias inteiras sem pronunciar uma palavra..." (Dostoiévski)

Tuesday, September 11, 2012

Sunday, July 29, 2012

A metamorfose é acordar do sonho do sonho...

Monday, June 25, 2012

NON

NOWHERE?
NOW HERE.

WO?
HIER!
NÖ!
WER?
ER.

NOWHERE!

Sunday, May 27, 2012

Etéria

O mais impressionante da morte não é a ferida que pode ficar, não são as lembranças que vão se diluindo com o passar do tempo, nem aquele sentimento de buraco dentro do peito que um dia pareceu ser eterno. O mais eterno da morte está em reconhecer uma pinta em um outro corpo, um sorriso em outra boca ou o mesmo funcionamento em outro ser.
O mais incrível da morte é reconhecer que ela não existe.


Das Beeindruckendste am Tod ist nicht die Wunde, die bleiben kann, nicht die Erinnerungen, die im Lauf der Zeit verschwimmen oder das ewige Gefühl, ein Loch in der Brust zu haben. Das Ewigste am Tod ist, einen Leberfleck an einem anderen Körper, ein Lachen auf anderen Lippen oder die gleiche Art eines anderen Wesens, wieder zu erkennen.
Das Unglaublichste am Tod ist, zu erkennen, dass er nicht existiert.

Wednesday, March 21, 2012

São Paulo



...e depois de muitos momentos de reflexão, a menina decidiu parar de correr daquilo que tinha medo.
Seguiu um caminho que acabava num túnel.
Pensou em voltar, mas decidiu que só sairia dele quando já não se sentisse aprisionada.
O que a menina não viu é que o túnel era apenas a entrada para a garganta de um enorme buraco negro.

Sunday, July 10, 2011

Enterro

Lá estávamos todos reunidos. Todos de preto, com rostos de luto.
Eu estava vestindo a mesma roupa da noite anterior, quando soube que você tinha morrido.
Aquela pessoa apareceu, com seus cachos compridos. A bolsa combinava com os sapatos, a maquiagem com a ocasião, apropriada para a face de luto.
De onde é possível tirar tantas roupas e rostos de luto? É como se uma orquestra negra tivesse ensaiado secretamente durante uma vida toda para cumprir este momento com absoluta perfeição.
Desejei que ela estivesse vestida de rosa e usasse uma bolsa dourada, seus sapatos (de salto, obviamente) também seriam cor-de-rosa. Assim seria mais fácil..
Vi você pela última vez e seu corpo sendo levado para dentro da cova.
Ela continuava lá, com óculos escuros para tapar a cara de um choro sincero, mas devidamente controlado.
Desejei ter uma tesoura na minha bolsa, mas não tinha nada, nem bolsa, chaves, ou palavras. Imaginei como a puxaria pelos cabelos e cortaria um pedaço deles. Para arrancar esse pedaço dela. Como se assim, eu pudesse ter de volta uma parte do que me foi tomado.
Uma música soava de longe. Eu continuava estática, não sentia nada. Meu tempo havia parado enquanto todos passavam a cerimônia de enterro que representava qualquer outra coisa, menos a contemplação de quem você era.
Eu pensava na tesoura e nos cachos que teriam caído dentro do buraco onde estava seu corpo. Não queria que seu corpo estivesse para sempre conectado a estes fios, por isso me jogaria para cima de seu caixão e tentaria encontrar todos os fios, já misturados em pétalas de flores.
A orquestra seguia tocando sua sinfonia secreta, pessoas vinham me cumprimentar, seus olhos me diziam: "meus pêsames". Eu continuava calada. Odiava o estranhamento que aquela palavra me provocava, uma palavra inventada para aquela situação e que não me representava nada além de um sentimento de plasticidade.
Mas como essas pessoas poderiam entender o que era perder minha conexão com você? Ninguém podia.
Nem eu.